domingo, 3 de agosto de 2014

LUA CHEIA

Quantas Luas cheias ainda verei?
Eu não sei
Não saberei jamais
Só sei das que vi  por onde passei
Tão soberanas, tão belas
Nunca eram iguais


Vi aquela sobre o velho jatobá
Silenciosa e meiga
Subindo bem devagar
Com promessas e desejos
De um doce beijo roubar


Vi outra sobre o mar sereno
Avermelhada  e lenta
Em um suave deslizar
Iluminando coqueiros
Com histórias pra contar


E houve aquela de abril
Desesperada e branca
Sobre um céu de carmim
Desafiando as nuvens
'a derramar poesia em mim'


E quantas Luas cheias ainda verei?
Eu não sei... só posso sonhar
Talvez todas
E eu só mude de lugar...




quarta-feira, 2 de julho de 2014

Coração Tropical





Oh, coração inquieto

Quando ama
Se inflama
Suspira
Calcula
Se esconde
Não quer padecer

Quando se lança
Avança
Recua
Espera
Persiste
Não quer mais perder

Quando confessa
Se abre
Se fecha
Se cala
Desiste
Não quer mais dizer

Quando enlouquece
Se alegra
Entorpece
Acorda
Adormece
Não quer mais saber

Quando padece
Dissimula
Calcula
Transpira
Esquece
Não quer mais sofrer

Quando desiste
Se agita
Complica
Lamenta
Expira
Não quer mais viver



quinta-feira, 5 de junho de 2014

POESIAS ESCOLHIDAS - Vol. I - Vozes de Uma Alma

 Olá amigos e visitantes!

Foi com muita alegria e emoção que pela primeira vez tive textos de minha autoria publicados. São 3 poemas selecionados pelo grupo de editores do POESIAS ESCOLHIDAS,  em uma antologia poética com 85 escritores de todo o Brasil. Trata-se do livro POESIAS ESCOLHIDAS - VOL. I - VOZES DE UMA ALMA.

O livro, dividido em três temas - Amor Romântico, Espiritualidade e Amor Erótico, é resultado de um trabalho de equipe coordenado pelo escritor Rodrigo Ricardo e trata-se de uma iniciativa que vem se confirmando um grande sucesso, já programando o segundo volume.

Os meus três poemas, seguindo a ordem das temáticas acima, são:

Pág.   25 : Perguntas
Pág. 112 : Bem-Te-Vi
Pág. 197 :A Décima Musa

Bem, ainda preciso plantar uma árvore...

Bye!!

sábado, 26 de abril de 2014

O Que Dirás?




Um dia quem sabe

Dirás que sou mistério
Que penso demais
Que rio de tudo
Que tenho sorte
Que deveras sou forte
Que meu corpo não tem idade
Que meu amor é uma necessidade
Quanta capacidade!
Que guardo segredos
Que escondo medos
Que as palavras me obedecem
Que os anjos me acodem
Que vou mais além

Que minha mente é sem  fronteira
Que minha dor é sem cegueira
Que meu pensar é quântico
Que tenho um lado romântico


Que nasci para o amor
Que me amas com fervor...
E basta!


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Vieste



Nos encontramos na poesia
Falamos de versos libertários
Bebemos da mesma taça
Rimos das mesmas heresias
Quando demos por nós nos amávamos
Com a ânsia e o desespero dos solitários

Sobre mim seu corpo sedento
Na boca um beijo atrevido
És lindo e me ensina
Que tudo é permitido
Temos pressa, tremor e desejo
Queres tudo e eu... cedo

De onde vieste pairar em minha cama?
Era pra ser só sexo
Mas tem um quê de infinito bailando
Pensamentos desconexos
Duas almas jogando com afã
Nem quero pensar no amanhã...








sábado, 1 de março de 2014

GRANDES SÃO OS DESERTOS...



"Grandes são os desertos, e tudo é deserto"

Sempre que estou triste, penso neste verso de Fernando Pessoa.

Se neste exato momento você se sente feliz, não poderá entendê-lo.

Sente-se bem por algum motivo, inda que tolo? então não é o momento de decifrá-lo.

É necessário que você esteja infeliz, com o coração dormente;
Uma bruma espessa deverá estar lhe anuviando o peito e subindo até a garganta, terminando em um nó górdio, impossível de desatar.

Seus pensamentos deverão estar desesperançados, tornando-lhe incapaz de ao menos vislumbrar algo que alivie a sua dor; Qualquer dor, quer seja do corpo, quer seja da alma, ou ambas, entrelaçadas e com redobrado vigor. Nenhum anestésico .

A sua sensação de tristeza deverá subir vertiginosamente em direção aos olhos, pesando as pálpebras, mas apenas marejá-los, sem força para transbordar em lágrimas salvadoras.

Você deverá estar só e querer estar só, não desejando nenhuma testemunha de sua dor. Nem ouvidos nem vozes.

Sua alma deverá estar "como o deserto, de dúbia areia coberto, batido pelo tufão" ou  "como a rocha isolada, pelas espumas banhada, dos mares na solidão", qual Fagundes Varela descreveu sua tristeza noturna. Quiçá amará a noite com seu manto escuro...

Ah, mas se você teve um lampejo de bem estar, um mísero vislumbre de alegria, conseguiu se lembrar de um momento de felicidade intoxicante ou se uma pequena semente de sonho germinou em sua alma, desista, não entenderá tal verso.

Tente entendê-lo da próxima vez que a tristeza chegar. 

FIM







sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Jovem Poeta

Por que me viste?
Assim tão pequenina, tão tímida
No meio de tanta gente bonita
De vestidos de seda e laços de fita?

Porque me lançaste um olhar?
Moveste todo o universo
Criaste uma história sem par
E nem percebeste teu gesto

Desdém para uns, que importa?
Gravado na teia, na alma e no ser
Pelos versos de um jovem poeta
Que só ele poderia ler...








domingo, 19 de janeiro de 2014

Poema do Penhasco







Você caminha tão firme
Pedras soltas não lhe detém
Penhascos não lhe assustam
E nem vê meu medo... nem olha para trás
Atrasar não lhe convém

Tudo é calmo e natural para você
Nada a temer, tudo é otimismo
Nada o assusta, nada lhe pode deter
Quanto a mim, em um descuido
Piso pedras soltas, e caio no abismo

Você não sente a minha dor
Não vê que estou caindo, caindo
Sem amparo, num voo amador
E nem olha para trás, segue sorrindo

Eu entendi seu descaso
Porque acredita tanto em mim
Não espera que eu precise de ajuda
E me deixa ao acaso...